O dia havia amanhecido e as tralhas já estavam devidamente arrumadas pra irmos em direção ao Rio, mas alguma coisa nos chamava. Era uma mescla de sol brilhando, temperatura perfeita e a lembrança das cachoeiras do dia anterior. Definitivamente, não podíamos ir embora.

A decisão foi rápida: “Amor, você não tem estágio amanha, né?” . Michela logo me respondeu com um sorriso no rosto: “Não, por que?”

Nem precisei responder, pois ela sabia que eu não teria aula no dia seguinte e poderíamos ficar mais um dia pelas estradas.

Mas faltava o destino: Pra onde iríamos?

Mas quer saber? Isso pouco importa. Tem uma frase do velho Bob Dylan que diz : “A felicidade não está na estrada que leva a algum lugar. A felicidade é a própria estrada”. E a ideia era exatamente essa, viajar, curtir, conhecer lugares novos. Sair meio sem rumo… Até meu velho mapa eu tinha esquecido em casa (Não usava GPS na época, apenas mapas).

Tivemos a ideia de seguir rumo a Visconde de Mauá, bem próximo de onde estávamos (30 km). O acesso a Mauá fica logo na entrada de Penedo, onde há um trevo com placas bem indicativas. A estrada requer um pouco de atenção pelo fato de ser bastante sinuosa.

Estrada
Estrada a caminho de Visconde de Mauá

 

Logo na entrada de Mauá achamos uma casinha de informações turísticas e disponibilizaram um mapinha da região pela bagatela de um real para ajudar a associação de moradores.

Com o mapa na mão, resolvemos ir para as vilas de Maringá e Maromba, duas vilas bem próximas.

Maringá tem mais variedade de restaurantes e pousadas, com agências que alugam motos e quadriciclos, que acho que vale MUITO a pena gastar uma graninha (fica na faixa de 70 a 120 reais a diária da moto). Nesses brinquedinhos de gente grande rola de conhecer as cachoeiras da região, que não são poucas.

Lojinha de queijo, cachaça e doces- Maringá
Lojinha de queijo, cachaça e doces – Maringá

 

Chegamos em Maromba por volta de 11 da manhã e esquecemos de procurar um canto pra dormir pois fomos direto pras cachoeiras. As cachoeiras mais próximas e de fácil acesso, são a do Escorrega, que como o nome já diz, dá pra escorregar de bunda lá de cima, e o Poção de Maromba, um pouco mais abaixo do escorrega, bem na beira da estrada.

Cachoeira do Escorrega
Cachoeira do Escorrega
Vista de cima do Escorrega
Vista de cima do Escorrega

 

Esse dia terminou cedo. Arrumamos um lugar pra comer na Vila de Maringá e fomos caçar um lugar pra dormir.

Como bons caras de pau que somos, batemos na porta de uma casinha em Maromba, bem humilde, porém de grande coração. E assim foi feito: Dormimos no quintal da casa.

Nosso cantinho no quintal da casa.
Nosso cantinho no quintal da casa

 

O dia seguinte começou cedo, 8 da matina. Era o dia de voltar, mas também de conhecer muita coisa. Decidimos não voltar pelo caminho tradicional (via Dutra) e seguir via Serra da Bocaina, parando em todas as vilas e cachoeiras do caminho. Com ajuda do mapinha que a gente tinha comprado, seguimos em direção a Mirantão e depois Santo Antônio, tudo por estradinhas de terra, nem sempre de fácil acesso.

Placa no meio da estrada de terra
Placa no meio da estrada de terra
Parada pra curtir o visual
Parada pra curtir o visual
DIGA XISSSS!
DIGA XISSSS!
Pracinha de Mirantão
Pracinha de Mirantão
Cemitério em Mirantão
Cemitério em Mirantão
Praça em Sto. Antônio
Praça em Sto. Antônio

 

Em Mirantão, uma boa opção de cachoeira é a da Prata, que fica a 4 km da vila por acesso de estrada de terra.

Cachoeira da Prata
Cachoeira da Prata – Mirantão

 

Em Santo Antônio é bacana conhecer a cachoeira do Rio Grande.

Cachoeira do Rio Grande
Cachoeira do Rio Grande – Sto. Antônio
Cachoeira do Rio Grande - Sto. Antônio
Cachoeira do Rio Grande – Sto. Antônio

 

Depois de curtir várias cachoeiras, o estômago começou a roncar e fomos procurar um canto pra comer. Só que um detalhe que nós esquecemos, foi a hora. Era por volta de 4 da tarde e estávamos numa vila de umas 300 pessoas. A opção de restaurante era quase zero, e todos estavam fechados.

Pedimos umas informações na rua e fomos em direção a Liberdade, cerca de 50 km a frente, com uns 10 km de terra.

Estrada pra Liberdade
Estrada para Liberdade
Moto carregada
Moto carregada

 

Ao chegar em Liberdade, logo achamos um singelo restaurante que servia prato feito por 8 reais!! Perfeito, não?

E além do precinho camarada, o dono, ao perceber que estávamos meio perdidos vendo o mapa, perguntou para onde iríamos e nos metralhou com centenas de dicas, que certamente seguimos.

Mapa
Mapa

 

Logo depois de comer uma comidinha caseira, descansamos por alguns minutos e seguimos pra estrada novamente.

Trilhando as dicas do sábio senhor, ao sair de Liberdade, pegamos a rodovia Juiz de Fora x Caxambu (BR 267) que está em perfeito estado de conservação, e já no primeiro trevo dobramos para Bom Jardim de Minas, passando por Santa Rita, Santa Isabel, e a saída para Volta Redonda, já no estado do Rio.

Restaurante em Liberdade
Restaurante em Liberdade
BR 267
BR 267
BR 267 - Rodovia Juiz de Fora - Caxambu
BR 267 – Rodovia Juiz de Fora x Caxambu

 

Depois de maravilhosas horas de estradas mineiras, entramos novamente na Via Dutra, num local bem mais a frente, na descida da Serra das Araras, que vale redobrar a atenção por se tratar de um trecho com muitas curvas e muita circulação de caminhões. E a partir daí foi só mais um curto trecho de estrada pra chegarmos sãos e salvos em casa, por volta de 8 da noite, prontos pra mais uma aventura!

 

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