Foto da capa por L.Willms – Obra do próprio, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18565491
Angola Luanda aeroporto 4 de fevereiro
Foto de L.Willms (CC BY-SA 3.0), https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=18565491

 

Esse é o relato dos ocorridos no aeroporto 4 de fevereiro, em Luanda (Angola), na minha passagem por lá, em 2006.

Minha primeira impressão não foi boa, pois não curti a malandragem deles. Depois de esperar uns 40 minutos para passar pela imigração, sem motivo aparente (eu e todos os gringos do voo), não precisaria passar no raio-X do aeroporto e em troca disso eu daria uma “gasosa” pro cara lá (1- gasosa é propina, gorjeta, etc. 2- eu não tinha problema nenhum em passar pelo raio-X, como fiz e faço em todos os outros lugares).

Bom, sem escolha, fui dar a gasosa e saquei do bolso uma moeda de 2 euros (era metade da grana que eu tinha!).

Só isso?!?! – disse o sujeito, e eu respondi: Como assim só isso?!?! Isso é euro!!! Vale várias kwanzas!!! (kwanza é a moeda local).

Papo pra lá, papo pra cá e tudo que ele levou de mim foi mesmo a moedinha de 2 euros.

Um mês depois, no dia que fui embora, mais problemas no aeroporto.

Para começar, assim que cheguei, vieram dois caras pedindo uma gasosa para que eu não enfrentasse a fila do check in, mas não aceitei a oferta deles… Cheguei lá às 8h30 para fazer o check in do voo das 13h e só fui atendido ao meio dia!

Nessa fila interminável, descobri que meu nome não estava na lista de embarque e para o colocarem na lista de espera, eu tinha que liberar uma gasosa

Novamente sem escolha, ofereci a gasosa (que agora eram 20 dólares), mas o cara falou pra eu guardar e dar pra ele depois, pra não verem. Nesse momento o chefe dele chegou dando-lhe uma baita bronca, sei lá porquê motivo, mas aproveitei o momento para reclamar que o tal sujeito não tinha posto meu nome na lista de espera. O chefe deu outra bronca no cara e eu consegui ir pro check in. Dessa vez salvei minha gasosa!

Quando despachei minhas malas, dei mole e deixei minha carteira internacional de vacinação contra febre amarela (obrigatória nessa viagem) dentro delas. Sem problemas, você pode comprar uma lá (comprar?!). Fui até uma mesinha de boteco ao lado do check in e lá havia um senhor (médico do Ministério da Saúde angolana) e ele fez uma carteira pra mim na hora. Me entregou e disse: São 10 dólares. Eu só tinha notas de 20, então dei 20 doletas ao senhor e fiquei esperando o troco. Garoto… Ele pegou meus 20 dólares botou no bolso, me olhou e sorriu…

Fui então à imigração (meu visto estava vencido há um dia) e o homem me disse: Seu visto está vencido, tenho que te cobrar uma multa. Eu só tinha mais uma nota de 20 dólares e não queria perdê-la, pois talvez tivesse que usá-la mais tarde, então, com olhos bem tristes falei pro cara: É, eu sei e por isso estou indo embora. E também não tenho mais dinheiro. Nem tenho como pagar essa multa. E ele: Tá bom, vai lá.

Daí, fui para uma salinha para a revista manual da mala de mão. Situação bem desconfortável, pois lá está só você e o cara que revista a sua mala. Se ele resolver pegar algo da sua mala e botar no bolso, não sei se há como/onde/com quem reclamar… Por sorte, ele não fez nada, nem me pediu gasosa.

Mas tirando a minha saga com o aeroporto 4 de fevereiro (nome dado em homenagem ao início da luta armada pela revolução e feriado nacional lá), tive um ótimo convívio com os angolanos, que são muito gente boa e gostam muito do Brasil e de brasileiros.

2 comments

  1. Parece que esses problemas em Luanda é uma regra. Neste blog http://diariodaafrica.blogspot.com/2008/12/em-luanda-de-novo.html tem um relato bem similar.
    Provavelmente na maioria dos países existe alguma forma de arrancar uma propina do turista ou enganá-lo e fazê-lo gastar mais dinheiro. No Brasil temos milhares de golpes assim.
    Acho que o único país que eu nunca ouvi nenhum relato de gente querendo tirar o seu em cima do turista é o Japão.

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