Antes de começar o post, já vai nossa sincera opinião sobre esse passeio: não é imperdível, porém trata-se de uma boa opção – talvez a única (?) – para quebrar os 600 e poucos quilômetros entre Mendoza e Villa General Belgrano. Cansaços a parte, e não desmerecendo as belezas do parque, por já termos visto tantas paisagens surpreendentes durante a viagem, o Sierra de Las Quijadas não causou tanta comoção quanto esperávamos… Talvez o céu encoberto e a hora em que chegamos ao local tenham contribuído para nossa impressão. A visitação se encerra às 18 horas e, como chegamos às 15h30, não havia mais quem pudesse nos conduzir nas excursões por Las Huellas del Pasado (fósseis de dinossauros), Farallones e Guanacos – trilhas mais longas na parte baixa do parque, onde é obrigatória a presença de um guia local.

Curiosidade sobre a origem do nome Sierra de las Quijadas: no século XIX, o vale serviu de refúgio para bandidos que roubavam o trem que ia de Buenos Aires a San Juan. Escondidos lá, eles costumavam se alimentar com o gado caçado na região e tinham certo apreço pela carne da mandíbula desses animais. Por esta razão, ficaram conhecidos como “Gauchos de las Quijadas” – para nós, “gaúchos das queixadas ou gaúchos das mandíbulas”! O apelido tornou-se popular e passou a dar nome ao lugar.

O acesso ao parque está localizado na Ruta Nacional 147, no noroeste da província de San Luis e a 120 km de sua capital. Para quem sai de Mendoza (nosso caso), o caminho pelo nordeste tem 260 km pelas Rutas 34, 142 e 20 – essa última cruza a 147. Pelo sudoeste, na Ruta 7, são quase 100 km a mais. Não há transporte público e a entrada é mal sinalizada. Tem que prestar muita atenção nas poucas placas indicativas! A localidade a ser achada no GPS é Hualtarán onde, a partir da Ruta 147, começa uma estrada de terra que atravessa o Sierra de las Quijadas.

Minutos após o asfalto, aparece o marco de entrada e uma construção interessante, que abriga a sede do parque. Ali é o único ponto para informações turísticas, venda de bebidas e petiscos, banheiros e compra dos ingressos. Sim, a visita é paga! E há diferença no valor cobrado dos argentinos (35 pesos) e de nós, “gringos” (80 pesos)… Com os ingressos nas mãos, seguimos mais 8 km pela estrada de terra até o estacionamento principal, onde começam as trilhas que contornam a parte superior do cânion e que tem duração de 45 e 60 minutos.

Entrada do Parque
Entrada do Parque
Centro de visitantes
Sede do Parque, com o Centro de Visitantes

 

A paisagem de Sierra de las Quijadas lembra um pouco a dos cenários desérticos do velho oeste americano. Essa região é a mais árida da Argentina e o Parque Nacional foi criado em 1991 para preservar, além dos sítios arqueológicos e paleontológicos ali presentes, as montanhas, planícies e planaltos do chaco seco no país.

O sendero principal leva ao Potrero de la Aguada, formação geológica única: um imenso anfiteatro natural, onde a planície de 4 mil hectares é cercada por uma cadeia montanhosa com enormes falésias em cores vermelha e acobreada, esculpidas pela ação das chuvas e dos ventos. Alguns picos atingem alturas superiores a mil metros, como o Cerro El Portillo e os montes Lindo e El Mogote. Em tempos remotos, o vale abrigou um grande lago. Hoje, apenas o rio Desaguadero banha o cânion, acompanhado pelo sazonal Potrero de la Aguada durante as chuvas de verão.

A trilha tem vários pontos de contemplação, com os banquinhos de madeira onde é possível ter uma visão panorâmica do vale. Contudo, a continuidade da paisagem torna os cenários monótonos à medida que avançamos o caminho. O percurso não apresenta muita dificuldade, porém é meio confuso… Em vários pontos, as pedras que delimitam a passagem sumiram ou estão fora do lugar.

Entrada da trilha
Entrada do sendero
Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas

 

Apesar de parecer inóspita, a região possui flora e fauna abundantes. Seus 150 mil hectares abrigam espécies de mamíferos (pumas, raposas, catetos), répteis (jabutis, lagartos, serpentes) e uma diversidade de aves. Os condores estão bem presentes no parque, como mostra nosso amigo nas fotos aí embaixo. Entre as plantas, o que mais nos chamou atenção foi um tipo de arbusto lotado de espinhos duros e muito pontiagudos. Imagine cair sobre um desses?

O parque conta ainda com descobertas paleontológicas, como pegadas de dinossauros, fósseis, troncos petrificados e faixas rochosas só possíveis de serem visitadas com o auxilio de um guia. Como falamos no início do post, não conseguimos fazer essa trilha, que tem 2 horas de duração.

Por fim, com a proximidade da hora de fechamento do parque, voltamos à estrada – asfaltada – em direção a San Luis, por volta das 17h30.

Sierra de las Quijadas
Condor na Sierra de las Quijadas
Sierra de las Quijadas
Condor
Arbusto com espinhos
Arbusto com espinhos

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