Tombada como patrimônio histórico da UNESCO e situada no mar do caribe, Cartagena das Índias se solidificou como o principal polo turístico da Colômbia.

Fascinado que sou por história, e na vontade de agradar a patroa que queria ir para a “praia”, Cartagena caiu como uma luva nos objetivos de ambos e também no bolso, que, com a alta do dólar, havia se tornado fator essencial na definição do roteiro.

A cidade leva o viajante a realizar uma verdadeira volta no tempo, seja devido a cidade amuralhada, ou pelos diversos museus e igrejas que integram o centro histórico, porém sem deixar de lado toques de modernidade, evidente no bairro de Boca Grande, onde estão localizados os grandes hotéis e lojas de marcas famosas.

Preparada para agradar a gregos e troianos, Cartagena apresenta uma ótima infraestrutura para o turista dos mais variados orçamentos.

História

Como principal porto da coroa espanhola nas Américas, Cartagena era o mais importante entreposto do tráfego de escravos para as colônias espanholas, assim como também a principal via de escoamento de todo o ouro extraído nos domínios ultramarinos da Espanha.

Toda esta importância chamava atenção de outras monarquias, e também de piratas, isso mesmo, piratas tentaram por inúmeras vezes saquear e dominar a cidade.

Eis que surgiu então a genial ideia para eles na época, e para nós turistas dos dias de hoje, de construir a muralha. E o que serviu para isolar a cidade do exterior na época colonial, hoje ajuda a atrair cada vez mais turistas.

Cidade Amuralhada

Cercando praticamente todo o centro histórico, as muralhas de Cartagena continuam cumprindo seu papel, mesmo que diferente do propósito original para a qual foram concebidas. À época, proteger a cidade, hoje, é um dos mais belos pontos de observação dos casarios e da baia que banha a cidade.

Dentro da cidade amuralhada, museus, praças e uma infinidade de amostras da arquitetura colonial espanhola enchem os olhos e são um chamariz para que o viajante fique atento a cada detalhe.

O clima é da época colonial, tempo em que a Espanha dominava a região, perceptível nas ruas estreitas, nas construções que remetem à época, com suas famosas sacadas floridas, ou pela mistura deste povo alegre e hospitaleiro, formado pelos descendentes de escravos, europeus e nativos, que dividem as ruazinhas com muitos turistas e carruagens que realizam passeios, apertadas entre as palenqueras com seus vestidos coloridos.

Quanto tempo ficar em Cartagena

Cartagena é daquelas cidades que ao pesquisar na internet quantos dias são suficientes, muitas fontes vão falar 4 ou 5. Eu digo que a cidade é daquelas que apenas de se estar lá já vale a pena, é daquelas que não existe tempo suficiente, porque quando não há meia dúzia de pontos turísticos “obrigatórios” como atração principal, mas sim a energia do lugar, você pode ficar 10 dias, e mesmo assim vai querer sempre voltar.

A alegria do povo e o contraste entre a influência europeia e africana tornam esta cidade única e imperdível.

O que fazer em Cartagena

Depois da minha viagem, cheguei à conclusão que é possível dividir a visita a Cartagena em dois aspectos. O primeiro deles, as praias e o segundo é o lado histórico da cidade.

Visitei algumas praias, as quais detalhei nos posts sobre Gente del Mar e Playa Blanca e tive surpresas negativas e positivas, como acontece em toda viagem.

Por mais que se planeje, você nunca sabe o que realmente vai encontrar, porém em relação a este pedacinho da Colômbia, posso afirmar com certeza que foi um dos melhores lugares que já conheci neste mundão.

Falar sobre as atrações da cidade, na minha opinião, é muito difícil. Explico o porquê: Minha viagem a Cartagena foi diferente de todas as outras que fiz até hoje. Foi uma viagem sem planejamento, não procurei estabelecer lugares e pontos turísticos obrigatórios a ir.

A intenção era curtir a cidade e o que fosse aparecendo pelo caminho. Foi assim que surgiu a ideia de ir a Gente Del Mar, comer uma “marmita” com os vendedores da feirinha ou ir numa panificadora das mais simples que já fui na vida, mas que foi fantástica.

A intenção foi sentir Cartagena das Índias, viver o espírito da cidade.

E o objetivo foi conquistado!

A cidade amuralhada e os arredores oferecem diversas atrações. Não fui a todas, não entrei em alguns museus, não fui à igrejas, mas conheci Cartagena como nunca havia conhecido outra cidade. Mesmo assim vou tentar ser objetivo e trazer informações úteis e interessantes a respeito do que vi e do que acho que possa interessar a outros viajantes. Vamos lá!

Castelo de San Felipe de Barajas

Começo pelo Castelo de San Felipe de Barajas, aliás, Cartagena tem um talento para nomear as atrações com o que elas não são… Explico a piada: Isla Baru não é uma ilha e o Castelo de San Felipe não é um castelo, mas sim uma fortaleza.

Considerada a maior construção espanhola fora da Espanha, ou seja, em uma colônia, foi construído entre 1537 e 1657 e tinha como objetivo proteger a cidade, que era vítima de constantes ataques de piratas.

Alguns conselhos pertinentes à sua visitação: vá o mais cedo possível ao castelo, pois o calor lá é enorme, e a tarde fica muito cheio de turistas. Fui logo cedo, e já estava bem quente, mas em compensação o castelo estava vazio. Outra dica importante: Compre água para levar, vai te ajudar demais.

O passeio com certeza vale a pena. A vista lá de cima é fantástica e gera fotos muito boas, além disso existem algumas peças da época em que a fortaleza estava ativa, como canhões. É possível também andar pelos túneis que ligavam uma parte a outra. Fui transportado para a época colonial enquanto passeava por este labirinto subterrâneo, mas se você tem claustrofobia, se prepare…

Preço: 17.000 pesos colombianos por pessoa.

Igreja de San Pedro Claver

Tenho uma regra em minhas viagens, meio polêmica para alguns, lógica para outros, mas que eu aplico e não abro mão: Eu não pago para entrar em igrejas. Não vou entrar no mérito do porquê, eu simplesmente não pago. E como em Cartagena toda igreja é cobrada para entrar, pensei, não vou em nenhuma, vou ficar nas fotos externas, porém quis o destino que eu tivesse a oportunidade gratuita de visitar a Igreja de San Pedro Claver.

A igreja possui uma arquitetura muito bonita e fiquei interessado em conhecê-la, porém o preço era 9.000 pesos, o que já ia de encontro a minha regra. Pensei: infelizmente não vou conhecer.

Eis que numa bela manhã, enquanto passava em frente à igreja, um casamento estava rolando. Foi minha oportunidade de adentrar gratuitamente. Não tirei fotos em respeito aos noivos, mas conheci a igreja.

Não acho que vale a pena pagar para visitá-la, pois na minha humilde opinião ela é mais bonita por fora do que por dentro, mas para aqueles que curtem, fica a sugestão de encontrar um casamento e conhecer a igreja de graça!

Torre do Relógio

Cartagena das Índias é cercada por muralhas, e o principal pórtico de entrada da cidade é a Torre do Relógio, que é basicamente, uma torre com um relógio. Apesar da sua simplicidade, é muito bonita, e penso eu que isto se deve a todo o contexto do local.

Por ser o pórtico de entrada da cidade, em seus arredores existem muitos vendedores de tudo que você possa imaginar e é o principal local de parada dos táxis (que são muito baratos).

O lugar rende algumas fotos bem maneiras e próximo dali saem os barcos para as Islas del Rosário.

Praça Santo Domingo e o Parque Bolívar

Outro ponto de encontro bem legal em Cartagena são suas praças e neste quesito eu destaco duas: a Praça Santo Domingo e o Parque Bolívar.

A praça Santo Domingo possui no seu entorno muitos barzinhos e restaurantes que colocam suas mesas na praça. Muitos artistas de rua se apresentam ali e é possível comprar artesanato no local. O que mais chama a atenção na praça, porém, é a estátua do famoso artista Botero e como é de se esperar, todo mundo quer uma foto ao lado dela.

Outra praça legal em Cartagena é o Parque Bolívar, uma área arborizada, com vários bancos, sombra, palenqueras vendendo suas frutas e charretes passando ao largo o tempo todo. Para os mais conectados, nesse parque rola wifi gratuita. É um local bem legal de descansar, e isso é importante, porque em Cartagena anda-se muito.

Gastronomia

Para finalizar a minha pequena série, deixei por último um aspecto muito importante de qualquer viagem: a comida.

Cartagena oferece opções para todos. Posso dizer que experimentamos os opostos, os extremos, de comida de rua e marmita ao restaurante melhor avaliado por viajantes na internet. Selecionei alguns para falar em específico.

Comidas de rua

Vou começar pela comida de rua. Experimente manga com sal e limão (2.000 pesos), sim, é estranho, mas até eu que não como manga, gostei!

Outra dica: Coma arepa, que aliás é algo que eu não sei descrever. É uma massa, feita na chapa, com manteiga e um queijo coalho, mais ou menos isso. É barato demais (2.000 pesos), bom e parte da cultura.

La Cevicheria

Posso dizer que fui em dois restaurantes legais. O melhor foi o La Cevicheria, que já foi visitado por Anthony Bourdain, o famoso chef que viaja o mundo em seu programa no TLC.

Neste restaurante, como o nome já diz, eles são especializados em ceviche, e que ceviche meus amigos, o melhor que já comi! No cardápio, outras opções, porém todas com frutos do mar. Preço para duas pessoas: 98.000 pesos. Um pouco caro, mas vale cada centavo!

La Casa de Socorro

O outro restaurante bem avaliado na internet que fomos foi La Casa de Socorro. Comida típica da Colômbia, patacones e arroz de coco acompanhado de carne a escolha. Tudo no sistema “a la carte”. Sinceramente, meio que me decepcionou, já que esperava mais devido aos comentários na internet. Mas valeu a experiência. Não lembro o preço, não anotei, pois era o último dia de viagem. Falha minha…

Espero ter ajudado os viajantes com estes meus relatos a respeito da minha experiência na Colômbia, e que na dúvida sobre ir ou não a Cartagena, vá! Outras viagens virão, e com elas muitos relatos!

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